quinta-feira, 28 de abril de 2022

A DOR DE PERDER UM FILHO AINDA BEBÊ


A DOR DE PERDER UM FILHO AINDA BEBÊ

É escutar a pior notícia da vida:

- Não encontramos batimentos!

- Sinto muito, seu filho não resistiu.

É acordar e perceber que não é um sonho, é mesmo um pesadelo.

É chorar a cada chuva, imaginando seu bebê em baixo da terra.

É ter raiva dos coveiros.

É recomeçar mesmo sem saber qual caminho seguir.

É sentir-se inferior à outras mães por não ter conseguido manter vivo o milagre da existência.

É todo dia tomar um remédio chamado tempo.

É alimentar-se de lágrimas.

É saber que isso acontece com muitas pessoas, mas não sentir alívio por não estar sozinha.

É lembrar do nosso anjo em cada situação vivida.

É imaginar como ele estaria hoje.

É chorar ao ver uma mãe com um bebê no colo.

É viver construindo infinitos.

É viver com a sensação de estar faltando um pedaço de nós.

É precisar do consolo, e ter ódio dele.

É sentir solidão, porque já havíamos nos acostumado com a certeza da companhia.

É descobrir sentimentos que não imaginávamos que existiam.

É procurar a causa da perda mesmo quando não há como encontrar. 

É viver alternando fases de não desejar mais ter filhos com outras de querer conceber imediatamente. 

É ter acreditado que com nós não aconteceria esse imprevisto e perceber que essa sensação de proteção é falsa.

É lembrar eternamente quem não foi ao enterro e julgar essa pessoa como sem coração. 

É não aceitar que ninguém sorria no período que perdemos, mesmo quem nem nos conhece pela rua! pois não entendemos que o inferno está só em nosso mundo.

É conhecer mulheres que engravidaram na mesma época e observar seus bebês no colo e ficar triste porque o seu não está ali.

É conviver com o sofrimento solitário, apesar do apoio da família e dos amigos. 

É viver com metade do coração na terra e outro no céu. 

É não suportar ouvir que "ELE É UM ANJO", "JÁ COMPLETOU A MISSÃO DELE", ELE TINHA UM PROPÓSITO POR VOCÊ"... Não quero que meu filho sofra ou morra por mim nem por ninguém!

É ter que encarar de frente a sensação de incompetência, mesmo que não tenhamos culpa. 

É exercitar a paciência e a fé para esperar o que Deus tem reservado para nós. 

É descobrir que somos mais fortes do imaginávamos.

É conviver com palavras de conforto e palpites.

É Morrer estando viva!