terça-feira, 22 de setembro de 2026

Beleza negra em destaque: a estética como forma de resistência e novo domínio!



 Hoje, esse cenário muda a cada dia, impulsionado por uma nova consciência coletiva que valoriza os traços, os cabelos e os tons de pele que antes eram rejeitados. A estética negra se transformou em símbolo de resistência, identidade e amor próprio. É um movimento que vai além da aparência: é sobre pertencimento, poder e liberdade.

Durante décadas, a ideia de beleza foi moldada por padrões eurocêntricos. Pele clara, cabelos lisos e traços finos eram vistos como sinônimo de elegância e aceitabilidade. 

Esse modelo dominante deixou marcas profundas em muitas pessoas negras, que cresceram sem se ver representadas na mídia, na moda e até mesmo nas bonecas com as quais brincavam. O resultado foi uma ferida silenciosa na autoestima coletiva. Mas, felizmente, essa história está sendo reescrita.

A estética negra como forma de resistência

Assumir o cabelo crespo, usar tranças, deixar o tom da pele brilhar ao natural ou celebrar os traços largos não é apenas uma escolha estética. É um ato político. 

Cada cacho, cada trança e cada batom vibrante usado com orgulho são manifestações de resistência contra uma estrutura que tentou, por séculos, apagar identidades.

Nos anos 1970, movimentos como o “Black is Beautiful” já ecoavam o poder dessa estética. O cabelo afro, volumoso e natural, se tornou um símbolo de orgulho racial. 


No Brasil, esse movimento se fortaleceu nas comunidades periféricas e nas rodas culturais, onde o corpo e o cabelo negro começaram a ser reconhecidos como expressões de beleza, força e ancestralidade.

Hoje, as redes sociais desempenham um papel fundamental na amplificação dessa voz. Influenciadoras negras, modelos, artistas e criadoras de conteúdo estão ocupando espaços que antes lhes eram negados, mostrando a diversidade e a riqueza da beleza negra em todas as suas formas. 


Elas se cuidam, aparecem, inspiram meninas e mulheres a se olharem no espelho com carinho e a perceberem que sua imagem é motivo de orgulho, não de negação.

A valorização dos traços e dos cabelos

O cabelo sempre foi uma parte importante da identidade negra. Ele carrega histórias, simbolismos e conexões com o passado. 


No continente africano, antes da colonização, o penteado representava o clã, o status social e até o estado civil de uma pessoa. Ao longo do tempo, o cabelo crespo e volumoso passou a ser marginalizado, mas hoje ele retoma o seu lugar de destaque com orgulho e consciência.

Assumir o cabelo natural é um gesto poderoso de autoconhecimento e resistência. Muitas pessoas relatam que a transição capilar vai muito além da estética: é um processo emocional e libertador. Cortar as partes alisadas e deixar o cabelo crescer livre é uma forma de reencontro com quem se é de verdade.

Os traços também ganham valorização nesse processo. O nariz largo, os lábios volumosos e os olhos marcantes são celebrados como símbolos de beleza e identidade. 


A maquiagem voltada para peles negras cresce no mercado, refletindo a necessidade de inclusão real. Marcas que antes ignoravam essa diversidade hoje reconhecem a importância de representar todos os tons e tipos de beleza. Essa mudança não é apenas comercial, é cultural.

O poder do tom de pele e da representatividade

Durante muito tempo, a ausência de pessoas negras em campanhas publicitárias e na mídia fez com que o padrão de beleza fosse limitado e excludente. Ver uma pele escura estampando capas de revistas, comerciais e passarelas é algo recente, mas de enorme impacto. Cada imagem de uma pessoa negra sendo celebrada é uma mensagem de validação coletiva.

A representatividade tem o poder de transformar a autoestima. Quando crianças negras veem pessoas parecidas com elas em posições de destaque, elas aprendem a se reconhecer como bonitas, capazes e merecedoras. A mídia, a moda e o entretenimento estão, pouco a pouco, entendendo o papel que desempenham na formação da identidade social.

Essa valorização também está presente na arte, na música e na fotografia, que hoje se dedicam a retratar a beleza negra de forma digna e plural. Artistas contemporâneos destacam o brilho da pele, a força do olhar e a ancestralidade que habita cada traço. Essas imagens não apenas inspiram, mas reparam décadas de invisibilidade.

A autoestima coletiva e o impacto social

O movimento de valorização da estética negra não beneficia apenas o indivíduo. Ele tem um impacto direto na autoestima coletiva, fortalecendo comunidades inteiras. Quando um grupo antes marginalizado passa a se enxergar de maneira positiva, há uma transformação social profunda.

A autoestima coletiva nasce quando as pessoas reconhecem que não estão sozinhas em suas lutas e celebrações. Ao ver outras pessoas negras assumindo seus cabelos, seus corpos e seus traços com orgulho, cria-se uma corrente de encorajamento. Essa conexão fortalece o sentimento de pertencimento e combate o racismo estrutural que ainda tenta impor padrões excludentes.

Além disso, a valorização da beleza negra influencia a economia e a cultura. O mercado da moda, da cosmética e da publicidade passa a se adaptar a uma nova demanda que exige inclusão real e respeito à diversidade. Isso gera oportunidades, emprego e visibilidade para empreendedores e profissionais negros que, por muito tempo, ficaram à margem.

Caminhos para o futuro

Celebrar a beleza negra é reconhecer a importância da diversidade em sua forma mais autêntica. O futuro aponta para uma estética mais livre, onde cada pessoa possa ser o que é sem medo ou julgamento. A resistência estética continuará sendo uma ferramenta poderosa de transformação, quebrando padrões e reconstruindo narrativas.

A nova geração cresce em um ambiente mais representativo e consciente, onde a cor da pele e o tipo de cabelo não definem o valor de alguém. Ainda há muito a ser feito, mas os avanços já são visíveis e inspiradores. A beleza negra segue em destaque, ocupando espaços e mostrando ao mundo que não existe um único padrão de beleza, mas uma infinidade deles.


A estética negra é resistência, é arte, é afirmação. É um lembrete diário de que a beleza verdadeira está em ser quem se é, com orgulho e amor.

Texto e pesquisa: Mariana Nascimento (Colunista do Portal Afro - Beleza | Notícias - Finanças | Tecnologia)
Modelos: Michelly Oliver (servidora pública municipal, influenciadora e profissional de estética e beleza), Mey Mistica (modelo e influenciadora), Sol Vega (modelo e atriz), imagens arquivo CULTURARTE
Adaptações e diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES





segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ensaio sensual de cadeirante Pollyana Xavier há 10 anos continua quebrando tabus

Lembrando o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o CULTURARTE relembra um ensaio fotográfico com a modelo PCD que posou há 10 anos atrás para a fotógrafa Bruna Carla em um ensaio incrível e que está cada vez mais atual


A goiana Pollyana Xavier participou de um ensaio sensual com a fotógrafa (também goiana) Bruna Carla e o resultado ficou incrível. 

O ensaio, que é um manifesto a favor das diferenças, da valorização da autoestima e da quebra de paradigmas, já está bombando nas redes sociais. 

Pollyana Xavier, a modelo do ensaio, conta a história por trás das fotos.

De acordo com Pollyana, o ensaio foi um convite de Bruna, que ofereceu a oportunidade para alguém com deficiência através das redes sociais. 

Pollyana falou que se ofereceu de imediato por afinidade com a proposta: mostrar que as mulheres portadoras de deficiência também são mulheres – e muito sensuais.

Há 21 anos em cadeira de rodas, Pollyana se acidentou durante uma brincadeira após um encontro da igreja, quando fraturou a coluna na altura do pescoço. 

Ela conta que, no início, foi difícil se adaptar – ela enfrentou um princípio de depressão -, mas, com o apoio da família, conseguiu superar as dificuldades.

Pollyana, que nunca tinha posado para um ensaio sensual antes, diz que Bruna a deixou muito confortável e que adorou a experiência. 

O resultado foi muito além do que eu imaginava. Foi excelente. O ensaio tem trazido muitas coisas boas, aproximando pessoas e trazendo pessoas novas que elogiam o resultado”, conta Pollyana. 


Já se passaram 10 anos, mas o ensaio está cada vez mais atual, e sempre, quebrando tabus!!!


Que a luta pelo respeito e a visibilidade da Pessoa Com Deficiência seja eterna e cada vez mais atual!!!






Acostume-se com a torcida contrária

 

Tem gente que vai ver suas fotos, achar lindas... Mas não vai curtir, porque acha que isso seria, para você̂, um sinônimo de popularidade.

Tem gente que vai ler os seus textos, vai gostar tanto que vai sair procurando algo parecido para compartilhar, porque acha que, compartilhar o seu texto, seria um elogio ɑ̀ sua inteligência.


Tem gente que vai ler tudo o que você̂ posta, vai ver cada status, vai conferir cada noticia, mas vai ignorar tudo.

Ou... algumas vezes vai tirar print e transformar aquilo em uma deliciosa conversa de WhatsApp te criticando.

Tem gente que não suporta ɑ sua felicidade. Tem gente que não suporta ɑ sua inteligência. Tem gente que não suporta seu esforço. Tem gente que não suporte a sua BELEZA!

Ah, tem tanta gente que vai querer ser você, estar como você, viver como você!

Tem gente que não vai te ajudar, mas também nɑ̃o vai suportar ficar sem noticias da sua vida!

Mas entenda, pessoas assim são necessɑ́riɑs. Elas tem o poder mágico de nos ensinar como não deveríamos ser. E isso, minha amiga, é tão importante quanto saber quem somos e quem queremos ser. 

Acostume-se com ɑ torcida contrária e aprenda que as pessoas só́ conseguem dar aquilo que tem dentro de si. 

E quem tem amor dá́ amor... mas se você encontrar no caminho quem não dê, faça uso daquela ferramenta que nós temos e é só nossa, largue o FODA-SE! Simples assim.


Texto original: Fabiana Amaral
Texto adaptado: Pery Salgado (jornalista)
Modelo: Viviane Leoa (criadora de conteúdo adulto)
Realização: PR PRODUÇÕES