terça-feira, 5 de maio de 2026

Sexualidade no câncer de mama: especialista rompe tabu no tratamento

Enfermeira do INCA cria ambulatório pioneiro e alerta para negligência no cuidado com mulheres


Falar sobre sexo ainda é um desafio para muitas pessoas. No contexto do câncer de mama, o tema se torna ainda mais delicado — e frequentemente ignorado. É esse silêncio que a enfermeira e sexóloga Íris Bazílio decidiu enfrentar ao longo de sua atuação no Instituto Nacional do Câncer (INCA) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Iris tem um site onde trata do tema com muitas informações, respeito e responsabilidade (https://irisbazilio.com/).

Segundo a especialista, há uma espécie de “apagamento” da sexualidade feminina durante o tratamento oncológico, especialmente em casos de câncer de mama. Para ela, o problema não é apenas a doença, mas a falta de abordagem adequada sobre o tema dentro do sistema de saúde.

Sexo e câncer não são água e óleo. O prazer pode trazer benefícios como melhora da imunidade, alívio da dor e do sono”, afirma.

Impacto além do físico

De acordo com Íris, o impacto do câncer vai além das alterações físicas. A perda da mama, por exemplo, pode provocar um processo de luto ligado à identidade e à autoestima da mulher.

Ela relata que muitas pacientes enfrentam dificuldades para reconhecer o próprio corpo após procedimentos como a mastectomia, o que afeta diretamente a forma como se relacionam consigo mesmas e com os outros, embora após o processo de aceitação, algumas superam de forma magnífica.

Libido e silêncio no atendimento

Outro ponto observado nas consultas é que a perda de libido, em muitos casos, já existia antes mesmo do diagnóstico. No entanto, esse aspecto raramente é abordado durante o tratamento.

Entre os efeitos relatados estão ressecamento vaginal, dor durante a relação e queda da autoestima. Para a especialista, o tratamento oferecido costuma ser superficial diante de um cenário complexo que envolve aspectos físicos, emocionais e culturais.

Ambulatório pioneiro

Para ampliar o cuidado, Íris criou um ambulatório de sexualidade voltado a mulheres com câncer de mama no hospital do INCA, considerado pioneiro no país. A proposta é oferecer um atendimento integral, que leve em conta a história de vida, crenças e experiências das pacientes.

Além do atendimento presencial, a profissional também desenvolveu uma metodologia online, ampliando o acesso ao tema para pacientes de diferentes regiões do Brasil.

Falta de preparo e tabu

Segundo a especialista, o silêncio sobre sexualidade nos ambientes de saúde está ligado tanto à falta de formação dos profissionais quanto a barreiras culturais.

Ela destaca que muitos profissionais não se sentem preparados para abordar o tema, o que contribui para a manutenção do tabu e para a ausência de diálogo com os pacientes.

Redescoberta possível

Apesar dos desafios, Íris afirma que é possível reconstruir a relação com o próprio corpo e com o prazer, mesmo durante o tratamento oncológico.

A profissional também atua com palestras e produção de conteúdo, com o objetivo de ampliar o debate e democratizar o acesso à informação sobre sexualidade na oncologia.

Quem é Íris Bazílio

Íris Bazílio Ribeiro é enfermeira há quase 30 anos, com formação acadêmica em instituições como a UFRJ e a UERJ. Atua no INCA e na Maternidade Escola da UFRJ, com foco em oncologia, sexualidade feminina e saúde emocional.

Mestre e Doutora em Saúde da Mulher e Oncologia. Especialista em Oncologia, Sexualidade e Neurociências, atua como pesquisadora, orientadora e palestrante nas áreas de saúde, sexualidade e desenvolvimento humano.

Servidora Pública Federal, integra o INCA - Instituto Nacional do Câncer e a UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolve atividades assistenciais, científicas e acadêmicas.

Fundadora e CEO do Instituto Iris Bazilio (https://irisbazilio.com/), criou o Ambulatório de Sexualidade para mulheres com câncer de mama, iniciativa pioneira voltada à reabilitação sexual com base em enfermagem, neurociência e práticas integrativas.

É Sexóloga, Terapeuta Holística, Mentora certificada, Reprogramadora Mental e escritora de diversos eBooks na área de sexualidade, saúde emocional e transformação pessoal. https://irisbazilio.com/







segunda-feira, 4 de maio de 2026

"EU NÃO NASCI FORTE, NÃO SOU PERFEITA, MAS SOU UMA MULHER DE CONTEÚDO"


 Eu não nasci forte.

Foi a vida que me forjou, julgamento após julgamento, silêncio após tempestade.

Cada ferida me esculpiu, cada queda me ensinou a ter paciência,

E cada partida me ensinou a ficar, primeiro por mim.

Eu não sou perfeita.

Falo demais quando devo ficar calada,

Eu fico em silêncio quando meu coração grita.

Às vezes eu vou contra o fluxo, cabeça erguida alta e coração pesado.

Eu sou uma mulher de conteúdo.

Lindas contradições, verdades cruas.

Posso ser doce como o amanhecer.

Ou afiada como uma verdade que não esperávamos.

Não preciso que gostem de mim.

Eu quero tocar almas, não aparência.

Quem me vê de verdade sabe:

Sou leal, inteira e fiel até no caos.

Amo sem meias medidas.

Nem metade - nem condicionalmente.

Quando dou, dou tudo.

E se tiver que me afastar, vou embora por inteiro, sem arrependimentos.

Já não procuro ser aceita.

Estou tentando me respeitar.

E neste mundo que muda de máscara a cada momento,

Eu escolho permanecer verdadeira.


Texto adaptado: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES






domingo, 3 de maio de 2026

"A LUZ QUE EU CARREGO, INCOMODOU OS DEMÔNIOS DENTRO DE VOCÊ" por Célia Tavares


 "Recebi uma mensagem ofensiva, m
e xingando de vagabunda... e me mandando ir pra academia, porque disse que eu era uma gorda e cheia de celulite.

VAMOS LÁ: 'Querida amiga', se eu pudesse, teria nascido feito a Gisele Bundchen, porém minha genética é desse jeito. 

Se não Malho? Infelizmente não! Pois estou com algumas patologias e tenho restrições...

Se estou acima do peso? Sim estou. 

Mas não dependo de padrões pra ser feliz, e outra, possuo 1,76 de altura bem distribuídos. 

Agora, se eu te incomodo, me bloqueia meu anjo.

Não precisa julgar e juntar um monte de fotos minhas pra me ver pra baixo.

A LUZ QUE EU CARREGO, INCOMODOU OS DEMÔNIOS DENTRO DE VOCÊ.

Se trata filha, procure ajuda profissional antes de ficar menosprezando os outros. 

Você é tão nova, tem 40 anos e eu já vou pra 54, poderia até ser sua mãe.

Se enxerga. Do jeito que estou e do jeito que sou, dou de 10 a zero em você!"


Texto e fotos: Célia Tavares (educadora)
Diagramação e inserções: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES