A paz raramente faz barulho.
Ela costuma morar em cenas pequenas, quase invisíveis para quem aprendeu a medir a vida pelo que os outros enxergam: uma casa simples, o cheiro do alimento no fogo, o corpo sem medo, a consciência sem contas abertas consigo mesma.
Durante anos, ensinaram que vencer era subir, acumular, ser admirado, provar alguma coisa. Pouco se falou sobre o cansaço de sustentar uma existência construída para impressionar pessoas que talvez nem estejam olhando.
Chega uma hora em que o coração perde o interesse pelos troféus.
Ele quer descanso.
Uma mesa onde ninguém precise representar. Uma noite em que os pensamentos não persigam o travesseiro. Um lugar onde a alma possa retirar os sapatos, baixar a guarda e respirar sem precisar justificar o próprio cansaço.
A paz também cobra escolhas. Afastar-se do que perturba. Recusar guerras que só alimentam o orgulho. Deixar morrer discussões que já consumiram tempo demais. Aceitar que algumas portas fechadas impediram nossa entrada em lugares capazes de nos destruir.
A maior conquista pode caber numa vida modesta e inteira.
Na alegria de preparar o próprio alimento. Na segurança de um abrigo. Na tranquilidade de não invejar o destino alheio. No alívio de deitar sem carregar o peso de ter ferido alguém para chegar mais longe.
Pouca gente verá essa vitória.
Mas quem encontrou paz já não precisa ser visto vencendo.
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES
























































