Ela é linda, SEMPRE teve um sorriso encantador. É líder religiosa e traz para pessoas (corpos e almas), sensações de paz e bem estar. Bem casada (com Cláudio Couto), é mamãe de duas lindas meninas. Bem de vida, é abençoada por Deus. Mas nem sempre foi assim. E resolveu abrir seu coração e expor todo seu drama, e escolheu o CULTURARTE para literalmente dar seu testemunho: "Quero ajudar as pessoas, para que não passem por tudo que eu passei", disse Kelly ao jornalista Pery Salgado, pela primeira vez em 1º de junho de 2021 (https://culturarteenpr.blogspot.com/2021/05/fui-violentada-no-corpo-e-na-alma-pelo.html), em uma das matérias de maior repercussão nestes 22 anos do CULTURARTE.
"Amo as reportagens de vocês e quero contribuir, ser exemplo para outras pessoas, principalmente o que escrevem para outras mulheres", concluiu.
Kelly Meneses Martins é Pastora em Maricá (RJ). Para nós, uma honra abrir nossas páginas para mais uma vez não só recordar seus relatos, mas para ouvir novos, de mais superações em sua atribulada vida.
Para nossos leitores e para nossas leitoras principalmente, um grito de alerta. Esta é apenas a primeira matéria. Virão outras depois, com mais informações, mais detalhes. Será de grande importância para todos.
A VIOLÊNCIA EM MINHA VIDA
Desde pequena, eu sempre ouvi as seguintes frases: "se comporta, não senta assim, não coloque saia sem short, não entra no carro de estranho, não aceita nada de estranho, não deixa ninguém mexer debaixo de suas roupas, cuidado com os meninos é etc..."
Mas a vida às vezes parece ser irônica, e nos prega peças, essas peças que saem do nosso quebra cabeça e depois não encaixa mais, e sabe porque ? Você não quer encaixar! Você não quer mais jogar esse jogo...
Os estranhos (???) "era na verdade tão conhecido !!!", pois é, ele era tão conhecido meu, tão íntimo meu, tão marido da minha mãe, pai dos meus irmãos e ... meu PAI!!!
Sim, o meu pai, aquele que escolheu o meu nome, que se casou com minha mãe, que ajudou a me procriar e a me criar, que me carregou no colo por diversas vezes, que eu chamava de Pai, que eu sonhava que ia ser meu herói, que cuidaria de mim, que iria me proteger dos estranhos, ele quis me conhecer muito mais do que deveria...
Ele quis ser mais do que poderia, fazer mais do que eu achei que ele faria. Minha saga, meu drama começou cedo, mais cedo do que eu imaginava, aliás, o que poderia imaginar uma criança, de apenas 5 ou 6 anos, ainda na primeira infância?
Cinco anos eu tinha ou talvez 6, e o meu conhecido aproveitou que minha mãe havia saído e disse que ia brincar comigo!
Essa brincadeira durou anos, e aos 11 anos eu fugi de casa e fui para casa da minha madrinha. Infelizmente, minha realidade era ter que voltar para casa e continuar convivendo com o meu conhecido.
Não!!! Não foi o estranho não! Foi ele, o meu conhecido, ele que me conhecia desde antes de eu nascer!
É muito louco, é uma revelação terrível, que dói minha alma até hoje. Sim, eu fui estuprada pelo meu pai várias vezes até os meus 11 anos de idade.
Aos 16 anos tentei suicídio, mas hoje eu sou uma #Resiliênte.
Pensei estar liberta! SOBREVIVI literalmente ao caos. Vive aparentemente bons anos de vida.
VIVER COM UM NARCISISTA
Mas quando pensei que minha vida seria nova, acolhida, acarinhada, respeitada, sem sentir fui entrando em um relacionamento tão tóxico quanto o que vivi na adolescência.
"Viver com um narcisista é como dormir abraçada à morte: ela te beija devagar, te suga a vida em goles pequenos, sem pressa, sem alarde. A doença não começa no corpo, começa na alma.
Primeiro te faz acreditar que você é pequena demais, depois te convence que não merece o básico: respeito, afeto, paz.
E você, sem perceber, vai se encolhendo, se calando, deixando de existir em pedaços. Mas não se engane: isso também é um câncer. Não aquele que a medicina aponta nos exames, mas o que se aloja na emoção e corrói por dentro. O corpo sente, o coração desanda, a pele fala.
O que o narcisista não mata de imediato, a doença emocional continua roendo em silêncio. Eu digo: não permita que seu corpo adoeça por carregar amores que mais parecem prisões. Viver com um narcisista é morte lenta, é exílio de si mesma.
Quem ama de verdade não precisa sugar, não precisa controlar, não precisa anular. Escolha viver antes que a vida decida cobrar em forma de dor.
A liberdade também é remédio, e o amor-próprio é o antídoto contra qualquer veneno."
Hoje estou livre, me formei, e cuidando de mim, posso também de outros.
Relatos e fotos de Kelly Meneses Martins (Psicanalista, Teóloga, Conselheira em Dependência Química. Uma mulher de Fé!)
Diagramação e inserções: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES