sexta-feira, 25 de setembro de 2026

CULTURARTE 318 - setembro de 2026 (segunda edição)

CULTURARTE 318
setembro de 2026 (segunda edição)



- O SETEMBRO AMARELO. A discussão sobre o suicídio onde o cuidado tem que ser diário e de todos.
- A DEPRESSÃO SORRIDENTE, onde a tristeza se esconde atrás de um sorriso!
- Mas o sorriso é importante? Claro que sim e mostramos aqui O PODER TRANSFROMADOR DO SORRISO!
- BELEZA NEGRA EM DESTAQUE: A ESTÉTICA COMO FORMA DE RESISTÊNCIA E NOVO DOMÍNIO.
- SETEMBRO AMARELO e a Exaustão Emocional!

Tudo isso, na segunda edição de setembro do INFORMATIVO CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica.










quinta-feira, 24 de setembro de 2026

ATENÇÃO: "Câncer de mama não tem idade e a prevenção tem que ser de janeiro a janeiro"


Uma campanha iniciada em 2014 pela PR PRODUÇÕES, vem trazer dicas, orientações e informações sobre cada tipo de mulher deve ter na prevenção do Câncer de Mama, doença que mais mata mulheres no mundo. Reunindo mulheres de todas as idades, credos, classes sociais e profissões, a campanha busca não apenas mostrar estas lindas mulheres nos cuidados pessoais, mas principalmente ORIENTAR. E como estamos comemorando 12 anos do início da campanha, estamos recordando algumas das inúmeras personagens que já passaram apoiando essa linda iniciativa. Hoje vamos recordar a participação Bia Fernandes (Musa do Vasco e Miss Bum Bum Goiás 2023).
 
O câncer de mama acomete predominantemente mulheres acima de 45 anos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Porém, o Instituto tem registrado um aumento no número de mulheres abaixo de 40 anos com câncer de mama com taxa de mortalidade superior às pacientes maiores de 45 anos.

O câncer de mama está sempre relacionado a mulheres com 40 anos ou mais, porém, é importante alertar que o tumor também pode ocorrer entre pessoas jovens e, ainda, não é impossível ser identificado entre crianças, apesar de ser extremamente raro. Para se ter uma ideia, recentemente, foi divulgado o caso de uma menina de apenas 7 anos, no Chile. A situação está chamando a atenção, provocando debates e servindo como alerta para o fato que a doença pode, sim, envolver pessoas em qualquer idade, inclusive homens.

A mãe da menina chilena contou que observou a presença de um nódulo na mama da filha, durante o banho, cujo tamanho era semelhante a um grão de feijão. Ela decidiu consultar um médico, que afirmou não ser algo normal e que a “bolinha” continuaria crescendo, apesar de não ter expressado seriedade, já que a mama pode ser acometida por diversos problemas geradores desse tipo de nódulo. Contudo, um mês depois, a família recebeu o diagnóstico de câncer de mama. A menina passou pela cirurgia de retirada da mama para biópsia.

Os tipos de câncer infantil mais comuns são leucemia, linfomas e os tumores no sistema nervoso central. O diagnóstico de um câncer de mama representa 0,0001% dos casos, envolvendo crianças e adolescentes, apontando a raridade da ocorrência, enquanto 80% das vítimas são mulheres, acima dos 50 anos.

Vale esclarecer que, pela raridade da doença em crianças e adolescentes, não há indicação para exames de rastreamento do câncer de mama para essa faixa etária. 


Entretanto, as pacientes jovens e com história prévia de radioterapia na região torácica para tratamento de outras doenças, ou presença de mutação genética como, por exemplo, mutação do gene BRCA, merecem acompanhamento individualizado. Os casos como o dessa menina chilena apenas reforçam a importância de desmitificar que o câncer de mama é uma doença que acomete somente idosas. 

Estima-se que 20% dos casos de câncer de mama, em países latino-americanos, ocorrem entre mulheres jovens, abaixo dos 45 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia já havia alertado que, aproximadamente um terço dos diagnósticos de câncer no Brasil acontecem em mulheres abaixo de 50 anos. A ocorrência ainda serve como alerta para a necessidade de conhecer a anatomia do corpo, os sintomas associados à doença e como fazer o autoexame corretamente.

A recomendação para quem já passou pela puberdade é fazer o toque mensalmente, após o fim da menstruação. Entretanto, é importante lembrar que o autoexame não substitui o rastreamento com a mamografia para as mulheres, acima de 40 anos. A recomendação do autoexame serve apenas como ação para a mulher conhecer o seu corpo e, caso identifique qualquer alteração ou tenha dúvida, deve consultar um mastologista. 

As mulheres de risco habitual, com menos de 40 anos, precisam ficar atentas, pois, apesar de não terem indicação para iniciar o rastreamento, devem procurar o mastologista, caso observem qualquer alteração mamária. Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento de forma ágil e com altas chances de cura.

Sociedades brasileiras recomendam mamografia a partir dos 40 anos

Segundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama (CM) é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 23% dos casos novos a cada ano. Dados do Inca apontam que sobrevida em cinco anos, estimada nos países desenvolvidos, é de 85%, enquanto nos subdesenvolvidos permanece entre 50-60%. 

Diferenças de sobrevida podem ser explicadas pelos estágios mais avançados ao diagnóstico nos países em desenvolvimento e também por outros fatores, como a falta de acesso aos serviços de saúde, o atraso na investigação de lesões mamárias suspeitas e na realização do tratamento.

Mamografia auxilia na detecção precoce

Neste contexto, a mamografia entra como uma arma que pode auxiliar na detecção precoce da doença, quando realizada em mulheres assintomáticas, numa faixa etária em que haja um balanço favorável entre benefícios e riscos dessa prática. 

Dentre suas vantagens estão: a redução da mortalidade pela doença, diminuição dos traumas físicos (tratamento em fases mais precoces), maior sobrevida, arrefecimento dos traumas familiares e o menor custo para sociedade relacionado à perda de um indivíduo produtivo.

Estudos

Os primeiros estudos que demonstraram haver diminuição da mortalidade por CM entre as mulheres convidadas para rastreamento com mamografia foram relatados há cerca de 50 anos. O Health Insurance Plan (HIP) Study forneceu a primeira evidência sobre o assunto. Nesse estudo, realizado na década de 1960, cerca de 60.000 mulheres foram distribuídas em dois grupos, um de controle e outro submetido a exames físicos e mamografias. Após sete anos de seguimento, foi observada uma redução de 30% na taxa de mortalidade no grupo submetido ao rastreamento.

Uma das mais extensas pesquisas sobre mamografia já realizadas avaliou um grupo de 130.000 voluntárias. De acordo com o trabalho, publicado no periódico especializado Radiology, o exame em mulheres acima dos 40 anos é capaz de reduzir em até 30% o número de mortes provocadas pelo câncer de mama – revelando que fazer o exame regularmente é ainda mais benéfico à saúde da mulher do que se pensava. Já uma revisão dos estudos mundiais mais relevantes sobre o tema, que incluiu 600.000 mulheres, demonstrou uma redução do risco relativo da mortalidade por câncer de mama estimada em 15%.

Questionamentos

Por outro lado, muitos estudos observacionais demonstraram resultados inconsistentes, questionando os reais benefícios do rastreamento e implicando também em certos riscos que precisam ser conhecidos: realização de biópsias excessivas, diagnóstico de patologias que não mudariam o curso de vida da mulher (overdiagnose), a realização de tratamentos dispensáveis e a exposição aos Raios X (raramente causa câncer, mas há um discreto aumento do risco quanto mais frequente é a exposição).

Resultados do famoso estudo Canadian National Breast Screening Study (CNBSS), publicado em 2015, influenciaram instituições governamentais (como a United States Preventive Services Task Force – USPTF), e publicações em duas revistas científicas, o New England Journal of Medicine (NEJM) e o British Medical Journal (BMJ).

Como funciona no Brasil?

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a mamografia anual para as mulheres a partir dos 40 anos de idade, visando ao diagnóstico precoce e a redução da mortalidade. Tal medida difere das recomendações atuais do Ministério da Saúde, que preconiza o rastreamento bianual, a partir dos 50 anos, excluindo dos programas de rastreamento uma faixa importante da população (mulheres entre 40-49 anos), responsável por cerca de 15-20% dos casos de câncer de mama.

O câncer de mama permanece como uma doença desafiadora, exigindo maiores avanços terapêuticos para melhoria das taxas de cura e mantendo-se como uma patologia que exige diagnóstico precoce. O exame clínico das mamas, associado à mamografia representa ainda a melhor estratégia a ser adotada. A detecção em um estagio inicial, permite um tratamento menos agressivo, determinando melhor qualidade de vida, com menos mutilação e menos efeitos colaterais, e aumentando as taxas de cura pela doença.


Modelo participante: Bia Fernandes (Musa do Vasco e Miss Bum Bum Goiás 2023). Quer conhecer mais sobre ela? Acesse https://culturarteenpr.blogspot.com/2023/10/musa-do-vasco-2023-viciada-em-sexo.html




quarta-feira, 23 de setembro de 2026

SETEMBRO AMARELO: A Depressão Sorridente, quando a Tristeza se esconde atrás de um Sorriso



 Você encontra uma amiga que não está em seu melhor momento, pergunta-lhe como está e ela responde que “bem”, enquanto esboça um sorriso. Sem dúvida, você sabe que ela se encontra mal, que tem problemas e que muitas preocupações rondam sua mente. Você se dá conta de que seu sorriso é fingido, mas, ainda assim, aceita e muda de assunto.

Infelizmente, esta situação é bastante comum. Na verdade, todos nós tentamos, em algum momento, esconder a tristeza, o estresse e as preocupações por trás de um sorriso. No entanto, quando nos escondemos por trás de uma máscara de tranquilidade e satisfação, impedimos que as pessoas nos ajudem e é mais fácil para nós nos afundarmos na fossa da depressão.

Quando a depressão sorri…

Nós tendemos a pensar que a pessoa deprimida não pode levar uma vida normal, que fica apenas na cama e não consegue ir para o trabalho, que chora fácil e se arrasta ao caminhar, assumindo uma postura curvada que denota sua tristeza, que se isola indo a um parque, uma praia (onde muitos pensam estar bem, estar curtindo o momento, mas na verdade o ato é uma fuga, um momento de reclusão, de isolamento). 


No entanto, esta imagem é apenas um clichê, pois cada pessoa é um mundo e lida com a depressão de forma diferente. Na verdade, você sabia que aproximadamente 71% daqueles que sofrem de depressão tentam esconder isso?

Alguns estão deprimidos, mas conseguem ser funcionais e até mesmo animados em suas vidas diárias. São pessoas que carregam sua dor dentro de si e não a exteriorizam. Essa dor as consome lentamente, até que chega um momento em que elas desmoronam, porque não suportam mais o peso da máscara que construíram e usaram por meses ou até mesmo anos.

De fato, no campo da psicologia, existe o que é conhecido como “depressão sorridente”. Essa pessoa tem uma aparência de normalidade e até de felicidade, porque ela vive os sintomas da depressão dentro de si, e não os expressa, mas se esforça em escondê-la. Dessa forma, os outros podem achar que ela tem uma vida perfeita.

Por que a pessoa esconde sua depressão?

As causas são diversas, mas, em geral, o sorriso é equivalente a um mecanismo de defesa, uma máscara que serve para esconder um estado.

– A pessoa tem vergonha de seu problema. Não podemos esquecer que a maioria dos problemas mentais ainda está coberta por um estigma social, então muitas pessoas não querem que os outros saibam que estão deprimidos. De fato, a depressão em particular é considerada por alguns como falta de força de vontade e falha de caráter, então é compreensível que se você tiver esse preconceito, tente esconder sua depressão, considerando-a como um “defeito”.

– Não quer reconhecer a depressão. Em alguns casos, a pessoa não quer reconhecer sua condição e esconde-se atrás de uma aparência de normalidade, talvez esperando que a depressão desapareça por conta própria. Nesses casos, ocorre uma negação e o sorriso é um mecanismo de autoafirmação, pelo qual ela diz a si mesma que não é para tanto, que, na realidade, ela se sente bem.

– Não quer preocupar os demais. Algumas pessoas tendem a manter problemas para si mesmas, são introvertidas por natureza e não querem preocupar seus entes queridos com suas dificuldades. Nesses casos, elas fingem estar bem, se vestem bem, se apresentam bem para não se tornar um fardo ou uma preocupação para os outros mas no fundo, estão destruídas.

– Preocupam-se muito com sua imagem. Há pessoas que pensam que os outros a valorizam e estimam apenas por causa da imagem que transmitem. Por isso, tentam fingir que está tudo bem, esconder a depressão e seu verdadeiro “eu”, tornando-se personagens que encenam todos os dias no palco de um teatro.

Quem é mais propenso a sofrer de depressão sorridente?

> Pessoas introvertidas, que tendem a guardar seus problemas ou têm dificuldade em falar sobre suas emoções.

> Pessoas perfeccionistas, que exigem muito de si e acreditam que não podem falhar em nenhuma área da vida.

> Pessoas hiper-responsáveis, que acreditam que carregam o mundo em seus ombros e pensam que, se entrarem em colapso, uma catástrofe de proporções épicas ocorreria.

Os perigos da depressão sorridente

A pessoa deprimida que escolhe sorrir sofre, mas tenta viver como se não sofresse. No entanto, emoções e sentimentos nunca devem ser ignorados ou escondidos, porque isso não os fará desaparecerem. 


Assim, aquela pessoa que talvez finge escapar da depressão, na realidade está alimentando-a. A longo prazo, essa atitude terá seu preço. De fato, há muitos casos de tentativas de suicídio que pegam os amigos e até mesmo membros da família completamente desprevenidos.

Por outro lado, a pessoa que tenta esconder a depressão geralmente se encarrega de ocupar totalmente sua agenda, de tal modo que acaba levando um ritmo de vida frenético que provoca grande desgaste. 


Essa necessidade de exagerar todos os dias acaba fazendo com que elas desmoronem emocionalmente, porque não é possível fingir todos os dias e nem com todo mundo. Mais cedo ou mais tarde, a irritabilidade, o cansaço, a tristeza e a tensão encontram uma brecha para vir à tona.

O problema é que, nesse momento, a pessoa se vê cara a cara com sua realidade e sente que está em um beco sem saída e sem ninguém que possa ajudá-la. Por esse motivo, pode chegar a atentar contra sua vida.

Fingir o sorriso não é a solução

Um estudo particularmente interessante, conduzido pela Michigan State University analisou o impacto de um falso sorriso em nosso humor. 


Esses psicólogos seguiram um grupo de motoristas por duas semanas e descobriram que, quanto mais sorrisos fingiam, pior ficava seu humor quando voltavam para casa, em um estado de ânimo marcado por irritabilidade, raiva e tristeza.

Portanto, é importante estar ciente de que as emoções negativas não desaparecem por si mesmas, elas devem ser enfrentadas. Esconder ou evitar o problema não fará com que ele seja corrigido. Além disso, é preciso saber que a depressão não é apenas resolvida dentro de um consultório de psicologia. A família e os amigos podem desempenhar um papel importante, desde que assumam uma atitude compreensiva e o apoiem.

Por outro lado, se você conhece alguém que está tentando esconder a depressão por trás de um sorriso, por trás de um celular, por trás de uma rede social (onde tudo parece perfeito), fale com essa pessoa. 


Não a pressione para lhe contar a situação, pois assim ela provavelmente se fechará ainda mais. Em vez disso, mostre sua vulnerabilidade e conte seus problemas. 


Dessa forma, você será capaz de se conectar emocionalmente a ela e será mais fácil que, ao se identificar com seus problemas, ela lhe conte, por sua vez, suas próprias dificuldades.


Traga (ou pelo tente) para o mundo real, estimulando essa pessoa a sair do seu casulo, do seu mundo onde supostamente se sente protegida, mas que na verdade se entrega na proteção da solidão.

Terminamos (por enquanto) essa matéria que na verdade é um grande alerta para todos nós (pois podemos ter o gatilho e passar a viver em nós esse grave problema), com algumas mensagens que poderão sim nos ajudar.



Texto original: Rincon Psicologia, traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise
Texto adaptado e pesquisa: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES