sexta-feira, 19 de junho de 2026

BRASIL X HAITI. AI DE TI BRASIL!!!


 Ah que ponto chegamos. Torcer para que o Brasil faça um bom jogo com o Haiti. 

Haiti, que vive um dos maiores problemas sociais do mundo, com cataclismas, governos corruptos, violência, milícias, fome, falta de empregos, oportunidades e esperanças, mas que assim como nós, quando chega a Copa do Mundo, eles se transformam.

O que aquela bola de pouco menos de setenta a centímetros de circunferência (cerca de 30 centímetros de diâmetro) e menos de meio quilo faz com o povo? Como transforma o mundo, como pelo menos nestes pouco mais de 30 dias, une os povos?


Nós brasileiros (time do futebol, agora nem tanto), ainda somos os únicos a participar de todas as copas, a ter mais títulos... sim somos PENTA CAMPEÕES, mas vamos pensar mais seriamente.

Estamos na 23ª edição da Copa do Mundo. Se somos PENTA CAMPEÕES, é por que ganhamos CINCO EDIÇÕES, ou seja, sem contar esta que está rolando (e estamos aparentemente mal das pernas), PERDEMOS 17 EDIÇÕES.

Há, somos a seleção com maior quantidade títulos. Sim, isto está correto, mas afirmar que somos o país do futebol... bom, isso está bem longe de estar correto, principalmente quando afirmei acima, estamos mal das pernas.

Nasci em 1960, ou seja, não vi o primeiro título do Brasil em 1958, não me lembro do segundo título em 1962, nem do fracasso de 1966.

Ah, mas tive o prazer (e me lembro bem, mesmo com meus 10 anos) de ver a maior e mais bonita seleção que o Brasil já teve.

E eram todos craques, e todos jogavam por uma razão, por um motivo: pelo Brasil, pelos então 90 milhões de brasileiros.

Mesmo o questionado goleiro Félix, virou herói. Brito (que nos deixou agora dia 16/6 passado), Piazza, Clodoaldo, Paulo César, Carlos Alberto (nosso capitão), Tostão, o maestro Gerson (canhotinha de ouro), Jair (o furacão da Copa e até hoje, o único jogado a marcar em todos os jogos de uma edição da copa) e o genial Pelé, dentre outros. Era um timaço, era uma alegria vê-los jogar.

Vi as copas de 74 onde ficamos em terceiro lugar, vi a roubalheira de 78 onde terminamos invictos mas ficamos em terceiro lugar pois a copa foi feita para a Argentina ganhar.

Vi 82 com o maior time depois de 70, ser eliminado pela Itália num jogo magistral.

Vi a tristeza de 86 e depois de 90, onde fomos eliminados pela França e Argentina respectivamente.

Até que desacreditados assim como em 70, chegamos aos Estados Unidos e novamente contra a Itália, fomos campeões em 1994, naquela batalha épica dos pênaltis.

Em 1998 chegamos a final mas a França (sempre a França), nos venceu na final por vexaminosos 3 x 0 e o até agora mal explicado problema com Ronaldo Fenômeno.

Pela primeira vez, uma copa era disputada em dois países e pela primeira vez, na Ásia. E mais uma vez, chegamos desacreditados, mas fomos nos superando e o GRUPO como em 70 e como em 94, chegou a final e vencemos por 2 x 0 a poderosa Alemanha, placar que para eles doeu muito mais do que os 7 x 1 que tomamos deles aqui em 2014 (mas que ainda nos deixa sim atordoados).


E por falar em 2014, passo por 2010 (uma belíssima festa na África do Sul, pela primeira a Copa chegava ao continente africano) que não nos deixou saudades, para termos uma edição da Copa em solo brasileiro, assim como aconteceu em 1950 com a inauguração do templo maior do futebol, o Maracanã, que tem o recorde mundial de público em uma partida de futebol, com pouco mais de 200 mil pessoas na final da Copa, quando o Uruguai venceu o imbatível Brasil por 2 x 1, fato que ficou conhecido com o MARACANAÇO.

Mas em 2014, era a chance e a hora certa para a tão sonhada conquista do HEXA. Chamaram o técnico PENTA campeão, o 'grande' Felipão, que soube formar um grupo coeso em 2002, mas que em 2014, fomos atropelados na semi final (nunca houve um placar deste em uma semi final de copa) pela Alemanha, por 7 x 1, seis no primeiro tempo, com um time atordoado e sem saber o que fazer em campo. 

Não houve outro MARACANAÇO, mas houve um MINEIRAÇO, já que o atropelo aconteceu no Mineirão.

O atropelo continuou no jogo seguinte na disputa do terceiro lugar, quando perdemos de 3 x 0 para a Holanda. Nunca o Brasil havia tomado DEZ gols em apenas dois jogos, ainda mais numa copa do mundo. 

Que esqueçamos (difícil!!!).

Nada de mais meritório fizemos nestes últimos 24 anos e chegamos a 23ª edição da Copa totalmente desacreditados e sim, com a pior seleção que já tivemos.

E todos só falam em Neymar, que já esteve em outras três copas e nada fez.

E o restante do time? E o grupo? E A SELEÇÃO?

E O RESPEITO PELAS NOSSAS CORES E PELOS 200 MILHÕES DE BRASILEIROS???

Não podemos viver só de um nome, ainda mais quando já tivemos Pelé, Tostão, Jair, Gerson, Nilton Santos, Garrincha, Cafú, Roberto Carlos, Ronaldinho Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho (o Bruxo), Romário, Rivelino, Bebeto...

Não, Neymar nada resolverá sozinho. Ele precisa de um grupo.

E se o Brasil não virar um grupo, será difícil chegar mais adiante.

Chegamos ao ponto de torcer para vencer bem do Haiti.

Ai de ti Brasil. Isso em tempos normais era jogo com a certeza de goleada, apenas aguardando o tamanho dela: 5, 6, 7, 8...

E vendo nosso próximos adversários jogarem - Holanda, Japão, Suécia... é torcer para não perdemos de muito e arrumar as malas para voltar com o rabo entre as pernas.

EU QUERO ESTAR ERRADO e ser Hexa Campeão, desacreditado como das outras vezes!

VAI BRASIL!!! AI DE TI BRASIL!!!

Editorial de Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES