A história da jumentinha Juju é maravilhosa! Nas terras das caravelas e da francesinha, do bacalhau e do fado, encontrei um 'catraio' (em Portugal, o termo é uma gíria muito comum para se referir a um menino, garoto ou miúdo, frequentemente associado a uma criança esperta) que me apresentou pela primeira vez O Livro dos Médiuns. Ele veio a se tornar meu namorado e maior apoiador, sempre me ouvindo e me dando todo o incentivo possível. A partir dali, comecei a estudar feito uma maluca. Era a época da Covid, do início da guerra na Ucrânia, do desemprego e de dificuldades variadas.
Sentindo a necessidade de ajudar, comecei a criar conteúdos sobre sonhos, psicanálise, espiritismo e mediunidade. Pensava comigo mesma que tudo aquilo que me amparava tanto deveria ajudar alguém que pudesse estar na mesma condição que eu, ou até pior. Sentia que o mundo inteiro precisava conhecer essas ferramentas, principalmente o Evangelho. Então, diariamente, criava conteúdos, passando a maior parte do tempo me dedicando a isso.
Como a situação na Europa não estava boa devido à guerra, voltamos ao Brasil para tentar a vida. No entanto, a cidade onde nos instalamos vivia quase inteiramente sob uma dinâmica de escravidão moderna; os faraós do Egito pareciam ter reencarnado ali. O povo, como os judeus do Antigo Testamento, já estava tão acostumado às algemas que não queria a responsabilidade que a liberdade exige. Por isso, não conseguimos nenhum trabalho. Depois de quase seis meses — mesmo ele tendo mestrado, dez anos de experiência no campo e com a cidade sem nenhum outro arqueólogo —, meu namorado precisou voltar para Portugal. Eu fiquei, pois não tínhamos condições financeiras de retornar juntos.
Nessa época, eu já tinha uma sobrinha de 10 anos, um sobrinho a caminho e muitos priminhos pequeninos. Comecei a frequentar o GELC (Grupo Espírita Lar de Caridade) e senti uma forte necessidade de criar algo para evangelizar as crianças. Via, nos programas infantis e na internet, conteúdos tenebrosos para os pequenos. Precisava de algo bom e simples, que pudesse conquistar a atenção tanto dos grandes quanto dos miúdos.
Em meados de junho de 2024, enquanto assistia a um vídeo que eu mesma havia produzido para o meu canal pessoal, vi um personagem: uma jumentinha amarela. Esse foi o ponto de partida. Comecei a desenhar vários modelos, mas não gostava de nenhum; achava que faltava carisma. Lembrei-me, então, dos personagens que eu amava na infância e de como eles eram: Betty Boop, Hello Kitty, Link e Mario Bros. Sempre fui fã de quadrinhos, desenhos animados e jogos da Nintendo. Inspirada nesses designs clássicos, busquei criar algo simples, que qualquer criança conseguisse desenhar.
Ela tinha que ser amarela, mas não inteiramente, porque gosto muito de cores. Coloquei uma orelha parecida com a do Pikachu, com um detalhe que poderia variar entre bege, laranja ou amarelo-escuro. Depois pensei no focinho, nas bochechas e nos olhos, que deveriam lembrar os traços de desenhos antigos, fáceis de fazer. Ela também precisava estar vestida. Como eu adorava desenhar vestidos triangulares com bolsinhos na infância, decidi fazer um assim, na cor verde — afinal, ela é brasileira.
Mas por que uma jumentinha?
Pensei que seria ótimo ter um animal que fizesse parte ativamente das histórias do Evangelho e do Antigo Testamento para evangelizar. Os jumentos são animais muito inteligentes e, na antiguidade bíblica, funcionavam como o "fusquinha" da época: todo mundo podia ter um. Ele é um dos animais mais citados nas Escrituras, ocupando o terceiro lugar e perdendo apenas para a ovelha e o cordeiro. É uma posição modesta, que representa o início da jornada de obediência, humildade, serviço, paz, perseverança e simplicidade. O jumento aparece na história de Abraão e o sacrifício de Isaque (Gênesis 22), na de Balaão e a jumenta que falou (Números 22:21-35), na busca pelas jumentas de Quis (1 Samuel 9), na fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus 2), na entrada de Jesus em Jerusalém (Mateus 21; Marcos 11; Lucas 19; João 12) e nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:10, 17 e Deuteronômio 5:14, 21), para citar apenas as passagens mais importantes.
A jumentinha, portanto, já existia na história; ela estava lá em todos esses momentos. Para aproximá-la das crianças, decidi fazer o contorno do seu rosto bem redondinho. Acabou lembrando uma coelha, mas sabemos que coelhos não têm rostos redondos; essa é apenas uma forma mais fácil e agradável de desenhar, que remete às feições dos bebês. As orelhas também foram exageradas para tornar a personagem mais caricata, fofa e cativante para o público.
O primeiro teste de animação foi feito com a música folclórica inglesa "Skip to my Lou", ideal para testar minhas habilidades de animação. Eu já havia desenvolvido um projeto de desenho animado anteriormente com a minha tia, a designer Lídice Caldas — criadora do Ursinho Plimplim —, que sempre me apoiou muito. Contudo, como o processo manual demorava demais, comecei a usar ferramentas de Inteligência Artificial para criar os vídeos da Juju, testando novos designs, mas mantendo sempre o mesmo padrão de cores e a matriz da personagem. Adorei a diversidade que a tecnologia me proporcionou.
Quando apresentei as primeiras músicas, as pessoas gostaram muito e começaram a seguir a jumentinha nas redes sociais. Para testar o formato físico, fiz versões dela em biscuit e em amigurumi. Pouco depois, levei a Juju para o CALOCE (Casa de André Luíz Organização Espírita Cristã), e eles se apaixonaram pela personagem.
Preocupada com a importância da participação das crianças durante o Evangelho no Lar, ofereci um livro digital para que o CALOCE produzisse. Hoje já estamos no terceiro volume e partindo para o quarto. No primeiro livro, a Juju apresenta a Doutrina Espírita de forma leve, para que todos — inclusive os não espíritas — possam compreender o Espiritismo, sem qualquer intuito de proselitismo. No segundo, ela ensina passo a passo e de maneira simples como realizar o Evangelho no Lar. No terceiro, explica didaticamente a vida de Moisés e os Dez Mandamentos.
A ideia principal é sempre a simplicidade e a acessibilidade. Quem nunca entendeu o tema passa a compreender facilmente, permitindo que os pais orientem seus filhos. Assim, Jesus entra na casa de todos e no coração das crianças por meio da lembrança de uma pequena jumentinha amarela, que as aproximou do Único e Maior Modelo e Guia da Humanidade.
Atualmente, temos amigos evangélicos, católicos e ateus que acompanham a jumentinha Juju. Nosso conteúdo já alcança mais de 32 línguas no YouTube, Instagram e TikTok, e estamos preparando a estreia dela nas plataformas de música, como Spotify e Apple Music. Seguimos em busca de parcerias, pois um trabalho dessa magnitude jamais é feito por apenas duas ou três mãos. São muitas mãos — encarnadas e desencarnadas — que trabalham e nos sustentam, especialmente nossa família e amigos.




















