No domingo 22/03, o Brasil se despediu de Juca de Oliveira em cerimônia marcada por emoção de familiares e colegas; mestre da dramaturgia deixa legado após 70 anos de carreira
O cenário cultural brasileiro amanheceu em luto com a perda de Juca de Oliveira. O ator, dramaturgo e diretor morreu na madrugada de sábado (21/03), aos 91 anos, em decorrência de uma pneumonia associada a complicações cardiológicas. Juca estava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março. Após um velório movido por homenagens na Funeral Home, o corpo do artista foi sepultado na tarde deste domingo (22/03), no Cemitério do Araçá, na região central de São Paulo. A cerimônia de despedida reuniu uma legião de amigos, familiares e ícones da televisão e do teatro, que prestaram as últimas honras ao imortal da Academia Paulista de Letras.
Emoção entre amigos e o reconhecimento de uma trajetória sólida
Durante o velório e o sepultamento, nomes como Bárbara Paz, Regina Braga, Drauzio Varella e Adriana Lessa — que viveu momentos marcantes com Juca na novela O Clone — fizeram questão de exaltar o rigor artístico do veterano. A filha única do ator, a produtora Isabella Faro de Oliveira, emocionou os presentes com uma fala breve e potente: “Ele soube viver”. A gratidão também foi o tom das falas de colegas de palco, como Natallia Rodrigues, que agradeceu ao mestre por ter lhe mostrado “lindos caminhos artísticos” durante a montagem de A Flor do Meu Bem-Querer, em 2022.
A despedida no Cemitério do Araçá foi marcada por um silêncio respeitoso, interrompido apenas pelas salvas de palmas que celebraram os mais de 70 anos de dedicação de Juca às artes cênicas. Do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) ao estrelato na TV Globo, Juca de Oliveira não foi apenas um intérprete, mas um intelectual que pensou o Brasil através de seus textos e personagens.
Um legado que atravessa gerações: do Dr. Albieri à Academia
Juca de Oliveira deixa um vazio imensurável, mas um acervo que permanece vivo. Formado pela Escola de Arte Dramática (EAD), ele estreou como protagonista em 1961 e nunca mais parou. Na televisão, imortalizou figuras como o Dr. Albieri e o emblemático João Gibão, de Saramandaia. No teatro, sua atuação era pautada pelo compromisso com a cultura nacional, sendo autor de diversas peças de sucesso que exploravam a política e a ética social.
Mesmo aos 91 anos, o vigor de Juca era evidente: o ator partiu com duas de suas obras ainda em cartaz na capital paulista, provando que sua mente e seu talento permaneceram produtivos até o fim. Ele deixa a esposa, a musicista Maria Luiza de Faro Santos, com quem foi casado por mais de cinco décadas, e a filha, Isabella. A família agradeceu, por meio de nota, todas as manifestações de carinho, ressaltando que a trajetória de Juca foi, acima de tudo, um ato de amor à arte brasileira.









