quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O grande D. Pedro II e D. Teresa Cristina (a mãe dos brasileiros): 55 anos de linda união!

 


D. Pedro II e D. Teresa Cristina permaneceram casados por 55 anos até a morte dela, em 28 de dezembro de 1889. Ele tinha mais de 1,90m, enquanto ela tinha quase 1,50m. Não foi exatamente amor à primeira vista. O jovem imperador de 18 anos precisava de uma consorte da realeza e apenas sua parente napolitana aceitou viajar ao Brasil para se unir a ele. D. Teresa era prima em primeiro grau tanto da finada imperatriz Leopoldina, por via paterna, quanto do finado imperador D. Pedro I, por via materna. O primeiro vislumbre da noiva veio através de um retrato pintado, o que fez com que o jovem soberano concordasse com o matrimônio.

O primeiro encontro do casal de imperadores ocorreu em 3 de setembro de 1843. Ao que parece, D. Pedro II se sentiu enganado pelo retrato de Teresa Cristina. Sua esposa era uma mulher baixa, sem muitos atrativos estéticos e, alguns dizem, manca. Mais tarde naquele dia, ele se queixou ao mordomo-mor, Paulo Barbosa e a d. Mariana, dizendo que fora enganado. Os dois preceptores do monarca, porém, confortavam-no dizendo que “casamentos de reis e imperadores eram negócios de Estado, não assuntos do coração. O contrato estava assinado, não havia como voltar atrás. Tivesse o monarca paciência e a afeição iria surgir” (CARVALHO, 2007, p. 52).

Com efeito, Alcino Sodré comentou que “nos primeiros dias o jovem desapontado deixara de ser aquele temperamento ensimesmado e lacônico para lastimar-se tristemente”. O descontentamento do jovem também não passou despercebido por sua esposa. Anos mais tarde, Teresa Cristina disse para sua filha, D. Isabel, princesa imperial, que chorou bastante, pois acreditava que o imperador não havia gostado dela. Apesar de tudo, a cidade celebrou durante nove dias de muita chuva o casamento do imperador e a chegada de sua nova imperatriz. Em todas essas celebrações, D. Pedro tentava disfarçar sua frustração.

Todavia, Paulo Barbosa e d. Mariana estavam certos: a afeição entre o casal logo surgiria. Para José Murilo de Carvalho, a união contribuiu para o amadurecimento de D. Pedro. “O menino tímido e pouco falante, que impressionava mal os diplomatas, tornou-se mais confiante e mais expansivo nas funções oficiais e na vida social” (2007, p. 52). No mesmo ano, D. Januária se casaria com o irmão de Teresa Cristina, o conde d’Áquila, enquanto Francisca havia se unido a Luís Felipe da França, o príncipe de Joinville. Não obstante, Teresa Cristina logo se mostrou uma boa companhia: gostava de leitura e música, paixões compartilhadas pelo imperador.

Uma vez Imperatriz, ela introduziu no Brasil a Ópera Italiana e o estudo da arqueologia. Em 1845, nasceria o primeiro filho do casal, Afonso, seguido um ano depois por Isabel, Leopoldina (1847) e Pedro Afonso (1848). Infelizmente, apenas as duas princesas sobreviveriam à idade adulta, o que abalou profundamente o casal de soberanos. Entretanto, de acordo com a tradição real portuguesa herdada pelo Brasil, as mulheres não estavam impedidas de ascender ao trono, de modo que a sucessão estava garantida através de D. Isabel. Assim, D. Pedro II cumpriu seu dever de Imperador e deu para os súditos uma mulher formidável, sua esposa, que seria chamada em vida de “a mãe dos brasileiros”.

Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Pesquisa: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES