segunda-feira, 6 de julho de 2026

"O manifesto do meu renascimento", por Débora dos Santos


Há exatamente um ano, no dia 18/06/2025, eu tomei a decisão mais corajosa e profunda da minha vida. Hoje, celebrando 1 ano de bariátrica, olho para o espelho e vejo muito mais do que um novo corpo: eu vejo alguém que escolheu renascer, viver e vencer.

Quem me vê hoje sorrindo nestas fotos, resgatando o meu amor pelo estilo de roupa social e escolhendo o que vestir, talvez não imagine a dor de onde eu vim. Teve uma fase em que eu vestia tamanho 58. Eu não escolhia minhas roupas, eu usava apenas o que cabia. Lembro com um aperto no coração do dia em que a única calça que me servia rasgou no trabalho; passei dias usando ela colada com esparadrapo para conseguir trabalhar. No fim do dia, aquele esparadrapo estava enrolado e grudado na pele. A cada dia que eu tirava, machucava o meu corpo e eu chorava de dor, de cansaço e de humilhação, precisando aguentar até a encomenda da internet chegar. Para tentar confortar a minha mente e não aceitar que precisava de números ainda maiores, eu me escondia em roupas pretas ou jeans stretch apertados.

A obesidade severa me tirava a liberdade básica de ir e vir. Era o desconforto e o medo constante de não caber em uma cadeira de plástico em um comércio, o aperto humilhante na poltrona de um ônibus executivo ou o pânico real de passar espremida na roleta e ficar agarrada ali. Cheguei a passar mais de um mês dormindo na sala de casa simplesmente porque minhas pernas doíam tanto, e minha falta de ar era tão grande, que eu não conseguia subir as escadas para o meu próprio quarto.

Meu corpo pedia socorro todos os dias através de uma coleção de comorbidades: hipertensão, SOP, pré-diabetes, asma e uma taquicardia constante. Chegar ao final de cada dia era um desafio de pura sobrevivência. Eu precisava sobreviver a mais um dia.

Hoje, quis melhorar a nitidez dessas fotos porque elas refletem a clareza que a minha vida ganhou. Em um ano, eliminei 30% do meu peso desde o dia da cirurgia — ao todo, são 45kg eliminados desde o momento em que tomei a decisão de recomeçar. Eu ainda não cheguei ao meu objetivo final, mas a minha maior vitória não se mede em quilos: mede-se na liberdade de não depender mais de dias doloridos.


Texto e fotos: Débora dos Santos (cuidadora de idosos e enfermeira)
Diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES